Saturday, November 14, 2015

.:waiting for a hero:.

Tudo o que havia a ser dito sobre terrorismo ja foi. Todas as criticas, revolta, minimizaçao, comparativismos, tudo.

me atenho a falar sobre paris, sobre a frança. sobre a paris que conheci em viagem. sobre a frança que invade os noticiarios europeus com sua liberdade de pensamento, com sua filosofia de vida, sua unidade na luta pelo direito e respeito às pessoas.

pode-se dizer que tenho uma visao utopica da frança? sim. mas tenho uma visao utopica de tudo em doses variadas, valorizo o que tem de forte, o que tem de admiravel, e na frança muitas coisas sao louvaveis.

a frança que para um pais inteiro quando UMA classe de trabalhadores esta sendo desrespeitada. a frança que abrange diversidade cultural, mas que mantem seu orgulho nacional. a patria que quando atacada se ergue com portas abertas, colaboraçao e se demonstra forte e unida mesmo estando visivilmente abalada. como nao admirar cidadaos que usam as redes sociais para criar um grupo de apoio às vitimas e dispersos em menos de uma hora depois da tragedia se abater sobre eles? porque ao inves de chorar, e se lamentar, e culpar o governo por sua inercia quanto ao controle para impedir ataques terroristas, eles se mobilizaram. ofereceram abrigo em suas casas a quem pedisse proteçao. ofereceram transporte para dispersos ate o seu local seguro, o seu lar. demonstraram que nao seriam abatidos cantando o hino à voz alta enquanto evacuavam o estadio.

uma patria que pensa. que sabe que nada é tao simples quanto certo ou errado. que sabe que para fazer valer o que se acredita é preciso antes realmente saber o que defende, pelo que se luta. nao importa culpabilizar ataques ou nao, importa agir, mudar o que pode ser mudado.

por que todos ajudam paris e ninguem ajuda mariana? paris se ajuda. a frança se mantem. os governantes respondem ao que o povo exige deles. e a merito suo, os franceses sabem como se impor. nao aguardam. cobram o que eles mesmos fazem. antes de dizer que todos sao paris e ninguem é mariana, o que voce fez quando soube do rompimento das represas? o que eu fiz? olhamos. e nos indignamos. e esperamos que a situaçao piorasse, querendo que uma força maior cuidasse de problemas que sao de todos. tao deles quanto meus ou teus. nao existe força maior para ajudar quem nao se propoe a se ajudar. nada vai mudar a menos que eu mude, e voce.

o que voce fez hoje?


https://twitter.com/jean_jullien

Monday, October 19, 2015

.:back to the begining:.

Esse poema ficava no meu quadro de cortiça desde que eu tinha onze anos. Um dos primeiros a me dizer algo,  talvez pelo meu nome, talvez pelo signo, ou ainda pela incapacidade de permanecer demasiadamente no mesmo lugar.
Fato é que ele torna,  falando de almas e borboletas, e eu dôo, anseio pelas migalhas de vida quotidiana que alimentam a alma. sinto o vazio deixado pelos quadros do palácio, o som das ondas na pedra, as cores do colibri e o canto do bem - te - vi,  o eco dos passos caminhando verso a plenitude.
E quando não se pode alimentar a alma, não seria mais justo que ela pudesse ser livre?


Há certas almas
como as borboletas,
cuja fragilidade de asas
não resiste ao mais leve contato,
que deixam ficar pedaços
pelos dedos que as tocam.
Em seu vôo de ideal,
deslumbram olhos,
atraem as vistas:
perseguem-nas,
alcançam-nas,
detem-nas,
mas, quase sempre,
por saciedade
ou piedade,
libertam-nas outra vez.
Elas, porém, não voam como dantes,
ficam vazias de si mesmas,
cheias de desalento...
Almas e borboletas,
não fosse a tentação das cousas rasas;
- o amor de néctar,
- o néctar do amor,
e pairaríamos nos cimos
seduzindo do alto,
admirando de longe!...

Gilka Machado